INTERVENÇÃO CÍVICA EM DEFESA DO PATRIMÓNIO

Em 2012 a ASPA comemorou 35 anos de intervenção em Braga. Criou, nessa data, este blogue.
Numa cidade em que as intervenções livres dos cidadãos foram, durante anos, ignoradas, hostilizadas ou mesmo reprimidas, a ASPA, contra ventos e marés, sempre demonstrou, no terreno, que é verdadeiramente uma instituição de utilidade pública.
Numa época em que poucos perseguem utopias, não queremos descrer da presente e desistir do futuro, porque acreditamos que a cidade ideal, "sem muros nem ameias", ainda é possível.
DEZEMBRO DE 2013
O novo executivo municipal suspende o PDM na área da ZEP das Sete Fontes.
Foi dado o 1º passo e há, finalmente, a esperança para o Monumento Nacional.

JUNHO DE 2015
O PDM aprovado na Assembleia Municipal de Braga prevê área de construção em ZEP do Monumento Nacional.
Novamente um futuro incerto para o Complexo das Sete Fontes?!

terça-feira, 28 de junho de 2016

ENTRE ASPAS - "Braga na Alta Idade Média"

A Doutora Maria do Carmo Ribeiro, docente no Departamento de História da Universidade do Minho, partilha connosco o resultado da sua investigação académica sobre Braga na Alta Idade Média. 
Este é o 7º texto da série "Aprender História Descobrindo a Cidade".
Para saber mais:
  • Avelino Jesus da Costa, O Bispo D. Pedro e a Organização da Arquidiocese de Braga, 2 volumes (2.ª ed.). Braga: Irmandade de S. Bento da Porta Aberta, 1997.
  • Luís Fontes, “Braga e o norte de Portugal em torno de 711”. In 711, Arqueología e Historia entre dos mundos, 2011, pp: 315-336. 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

ENTRE ASPAS "Notas sobre um Encontro de Associações de Património"

No Encontro de Associações de Defesa do Património, promovido pelo Pelouro do Património da CMB, a ASPA partilhou um pouco da sua longa história de quase 40 anos. 
A defesa de Bracara Augusta foi o motivo da criação da CODEP, em 1976, um movimento de cidadãos que deu origem à ASPA.
Na balança dos ganhos e perdas foi assinalado o papel da ASPA na preservação da colina da Cividade e de Bracara Augusta, do Mosteiro de Tibães e das Sete Fontes. 
Mas há também derrotas importantes: o parque oriental na Quinta dos Peoes, tantas casas de valor arquitectónico e histórico, o território destroçado por um urbanismo pungente.
A ASPA tem-se regido pela ideia matriz de que a defesa do património se enraíza na preservação da memória...
Diário do Minho (13 jun 2016)


Bracara Augusta - com Lúcio Craveiro e Jorge Alarcão (Março de 1976)

segunda-feira, 30 de maio de 2016

ENTRE ASPAS - "Reabilitação de edifícios históricos em Braga"

As praças, ruas e o edificado do Centro Histórico de Braga constituem um valioso legado que é necessário proteger.
Braga só será capaz de igualar-se a cidades vizinhas que, desde há anos perceberam a importância da salvaguarda do património para  o desenvolvimento local, se projetistas, proprietários, promotores imobiliários, técnicos da autarquia e responsáveis políticos, abraçarem como causa comum a valorização do edificado.
É esse o desafio que, em conjunto, terão de vencer.

Devemos ter presente que:
  • A demolição implica destruição de património e empobrece as cidades.
  • A reabilitação conserva o que existe, integra o passado no presente, valoriza  as cidades. É um atrativo para quem nos visita.

Diário do Minho - 30 de maio de 2016
Rua Dom Frei Caetano Brandão
Rua de S. Vicente
O património de Braga não se limita ao subsolo, embora na Rua Dom Frei Caetano Brandão e Rua de S. Vicente se justifiquem intervenções arqueológicas aprofundadas. Estas casas possuem um expressivo valora arquitectónico, que não se limita à fachada, sendo igualmente constituído por interiores de grande interesse patrimonial e estético que é necessário proteger e valorizar.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

ENCONTRO DE ASSOCIAÇÕES DE DEFESA E DIVULGAÇÃO DO PATRIMÓNIO

                                             Ampliar
Sábado, dia 28 de maio, vai realizar-se um Encontro de Associações de Defesa e Divulgação do Património. Iniciativa da CMB (Pelouro do Património/Gabinete de Arqueologia).
Às 9h30, na Fonte do Ídolo.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

RUA DE S. VICENTE - zona de grande sensibilidade patrimonial (2)

Não haverá dúvidas, com certeza, que a Rua de S. Vicente é uma zona de grande sensibilidade patrimonial.  Porém, o que temos observado no terreno, desde 2012, não evidencia especial atenção em relação a esta zona da cidade.
A ASPA tem recebido imagens do interior de casas desta rua que demonstram a existência de vários testemunhos da arquitetura e de elementos decorativos originais: painéis de azulejos, tetos trabalhados, escadarias em madeira e granito, clarabóias, portadas, batentes e gradeamentos de varandas em ferro, etc. Este tipo de arquitetura, o modo como se concebiam os espaços interiores, em que a estética e o conforto deviam marcar presença, deve ser preservado e integrado na intervenção a realizar.
Conservar para as gerações vindouras estes espaços privados, e os sinais das vivências  quotidianas, que testemunham a importância que Braga teve no passado, é uma obrigação da geração presente e, em especial, de quem tem responsabilidades ao nível da salvaguarda do património. É esse o futuro que desejamos para Braga.
Há anos que outras cidades perto de nós  perceberam a importância da reabilitação de edifícios e lançaram políticas que têm em vista a sua salvaguarda e valorização. Cedo perceberam que a demolição do interior NÃO É A SOLUÇÃO quando existem marcas singulares e evidentes no interior das casas. Os testemunhos da arquitetura original, devidamente conservados numa obra de reabilitação, irão valorizar o edifício, a rua e o Centro Histórico de Braga. 
Quando terá Braga um Regulamento de Salvaguarda do Centro Histórico que evite mais demolição/destruição de legado do passado, mesmo que doméstico? 

1. No final de 2015 fomos informados da demolição de duas casas nesta rua, em que se verificou, pelo menos, a perda de um painel de azulejos da entrada. De imediato questionámos a CMB e divulgámos, através deste blogue, o resultado dessas diligências. 
Em final de abril fomos novamente surpreendidos com imagens que nos foram enviadas, desta vez pelo facto de os azulejos da fachada, até então mantidos, terem sido retirados. Abandonados no chão, visíveis através da proteção da obra, conforme demonstram as imagens! 
Questionámos novamente a CMB (Gabinete do Centro Histórico). Fomos informados que os azulejos serão repostos depois de restaurados. 
                                                                                                                   
2. Junto à Igreja de S. Vicente surpreende-nos que o nº 161 anuncie a venda de T1, T2 e T3, já com projeto aprovado. Estará prevista a integração de testemunhos da arquitetura original, nomeadamente a escadaria em granito existente na entrada e nas traseiras, piso em lajes de granito, painéis de azulejos, tetos, pintura interior, etc.? 
              
3. Temos recebido outras imagens que mostram mais testemunhos da arquitetura original escondidos no interior de casas desta rua. 
Uma dessas casas foi anunciada para venda, divulgando as pré-existências. Conservou até aos nossos dias painéis de azulejo, mosaico hidráulico, pinturas interiores, escadaria e tetos de madeira. No exterior, os azulejo da fachada e gradeamentos de varandas e da porta de entrada.
Nesta casa esperamos que esteja prevista a reabilitação com salvaguarda destes sinais, certamente pensados por quem projetou a casa.  Ansiámos que seja um exemplo de reabilitação urbana que a dignifique, bem como à rua e ao Centro Histórico de Braga.
                                                                                                                 A Convenção de Braga para a Salvaguarda do Património Cultural, assinada em 18 de maio de 2016, integra um conjunto de recomendações assumidas pelos Municípios com Centro Histórico, "com base em quatro pilares fundamentais: a educação pela preservação patrimonial; a arquitetura e o urbanismo, a reabilitação de interiores e o estudo e conservação de vestígios artísticos e arqueológicos, a qualificação do ambiente e a gestão sustentável do espaço público; e a participação cívica e a cooperação institucional no âmbito da reabilitação urbana."
Espera-se que a Convenção seja operacionalizada em boas práticas: da parte dos proprietários, projetistas, promotores imobiliários, técnicos da autarquia, responsáveis políticos, instituições a quem compete zelar pelo património e associações.
Espera-se, também, que a demolição seja uma exceção em Braga, só aplicável quando o estudo técnico, devidamente fundamentado por equipa multidisciplinar, o justifique. 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

ENTRE ASPAS - "Antiguidade Tardia (sécs. VI e VII)"

Neste texto, da série "Aprender História Descobrindo a Cidade", Francisco Sande Lemos situa-nos no séc. VI e VII. 
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Para saber mais:
(2004) – Bracara Augusta no Baixo Império e na Antiguidade Tardia. Uma primeira interpretação, Forum, 34, Braga, pp. 91-140.

(2010) – Fontes, Luís; Manuela Martins; Maria do Carmo Ribeiro; Helena Paula Carvalho, A CIDADE DE BRAGA E O SEU TERRITÓRIO NOS SÉCULOS V e VII, in ESPACIOS URBANOS EN EL OCCIDENTE MEDITERRANEO (5. VI - VIII) / 255 – 262. Toledo. 

sábado, 7 de maio de 2016

REPOSITÓRIO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO - uma ideia da APRUPP a que Braga pode aderir





Com o REPOSITÓRIO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO,  a APRUPP (Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Proteção do Património) pretende criar uma Rede de Reutilização de Materiais de Construção provenientes de obras de demolição, com potencial de reutilização e catalogação on-line. 
Tem como objetivo promover boas práticas de reabilitação urbana sustentável, envolvendo técnicos, municípios e a comunidade em geral na mesma missão.

Em Braga, a demolição de edifícios centenários tem implicado a perda de painéis de azulejos, pisos de mosaico hidráulico, escadarias e portadas em madeiras nobres, claraboias, etc. Apesar de Braga ter aderido ao projeto SOS Azulejo!

As boas práticas em matéria de reabilitação de edifícios apontam no sentido da identificação prévia de pré-existências e sua integração no projeto. E de guarda de materiais sobrantes que podem ser reutilizados em outras obras de reabilitação onde peças iguais estejam demasiado degradadas ou não existam em número suficiente. Guarda que poderá ser assumida pelo município como contributo para uma reabilitação urbana sustentável.
É essa a política de reabilitação de edifícios que desejamos para Braga.

APRENDER HISTÓRIA DESCOBRINDO BRAGA

Como contributo para o conhecimento da História local e para a promoção de uma cidadania crítica, atenta e atuante, demos início, em 2015, a uma série de entre aspas designada "Aprender História Descobrindo a Cidade de Braga". 
Esta série é dirigida a estudantes, respetivas famílias, bracarenses curiosos sobre a História local e turistas. Também às escolas, uma vez que os textos disponibilizados constituem recursos para o ensino da História contextualizada em Braga.
Tem em vista facultar informações sobre as diferentes fases da História do concelho de Braga e criar condições para visitas autónomas a locais que comprovam a importância de Braga, ao longo dos tempos,  no noroeste Peninsular. 
Esta série inicia na Pré-História Recente (IV/III milénio a.C.) e termina no séc. XXI.

Com a colaboração de especialistas na matéria iremos percorrer períodos importantes da História da cidade/concelho, facultar informação essencial à sua compreensão e apresentar propostas de visitas aos locais.
Testos já publicados:

segunda-feira, 2 de maio de 2016

ENTRE ASPAS "José Moreira (1922-2003): um homem de valores que deu e que se deu mais do que o contrário "


José Moreira foi ilustre editor (nos anos 60 apoiou jovens e então desconhecidos escritores, como Altino do Tojal, José Manuel Mendes e Vergílio Alberto Vieira) e livreiro bracarense (Livraria Editora Pax), oficiante de vastas lides, como o jornalismo (Correio do Minho; Diário do Minho; Notícias do Minho; Minho, semanário, etc.), a literatura (Mínia, de que foi Director; “José Moreira – 1922-2003”, que inclui depoimentos de muitas figuras que com ele conviveram;  e outras publicações) e os múltiplos empenhamentos dados às mais diversas colectividades de Braga (Mocidade Portuguesa; Correio do Minho; Sporting Clube de Braga; ASPA) e movimentos comunitários, como os Focolares.
O Senhor José Moreira foi sempre incansável na publicação dos Entre Aspas, sensibilizando os bracarenses para a defesa do património e denunciando atentados a que todos íamos assistindo. Textos que refletem indignação e resistência:
Continua em Braga a “sinistra noite do fachadismo” – 2000.10.02
Enquanto o camartelo destrói implacável o Palacete...” – 2000.11.13
“Na cidade sem o meu carro!” – 2001.07.30
"O Parque da Ponte: legenda do abandono imerecido” – 2001.11.05
“Sobre  a sala Egípcia do sindicato dos caixeiros” – 2001.05.07